Apple vai investigar aplicativo que monitora mulheres na Arábia Saudita

O presidente da Apple, Tim Cook, tomou a frente de mais uma polêmica relacionada a abuso contra a mulher nas plataformas digitais e disse que a empresa vai investigar o app Absher. Denunciado no começo da semana pela ONG Human Rights Watch, que luta pela defesa dos direitos humanos, o software permite que homens monitorem mulheres na Arábia Saudita.
Em entrevista a uma rádio americana, Cook afirmou não ter sido informado por seu pessoal sobre a existência do software, mas que vai garantir que ele seja avaliado pelas equipes da App Store. Ele evitou comentar mais sobre o assunto, em uma declaração breve que representa a primeira postura oficial, mesmo que ainda branda, de uma das gigantes sobre a questão.
Desenvolvido pelo governo da Arábia Saudita, o Absher pode passar despercebido como um software comum ao cidadão, permitindo, por exemplo, a consulta da situação da carteira de motorista, o pagamento de multas e o acesso a outros serviços oficiais. Sua função mais questionável, entretanto, tem a ver com as “dependentes”, como são chamadas as mulheres que estão sob a autoridade de um guardião do gênero masculino, conforme as leis do país.
Por meio do aplicativo, tais homens podem criar listas negras para as mulheres que as impedem, por exemplo, de entrar sem autorização em aeroportos ou viajarem para destinos determinados. O Absher também permite a aplicação de restrições a passaportes e documentos pessoais, de forma a limitar a liberdade de locomoção das “dependentes”.
Seria uma forma de controle e, também, uma tentativa de evitar fugas, bastante comuns em sociedades com regras desse tipo. Antes, tais questões eram resolvidas por meio de formulários e documentos oficiais físicos, com o aplicativo facilitando tais questões e dando caráter digital a elas, além de emitir uma notificação aos responsáveis caso uma rota pré-aprovada saia do caminho previsto.
É, entretanto, um claro caso de abuso e assédio, conforme apontou o Human Rights Watch, que também citou a presença de normas de uso contra tais atos na App Store e no Google Play, as lojas oficiais de aplicativos para o iOS e o Android. A ONG exigiu a ação das empresas quanto ao aplicativo, que não deveria estar disponível nos marketplaces.
A Google ainda não se pronunciou sobre o assunto ou eventuais atitudes que poderiam ser tomadas contra o Absher.

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