Emirados Árabes podem ter espionado centenas de rivais usando falha no iPhone

Os Emirados Árabes Unidos estão sendo acusados de utilizar iPhones de ativistas, diplomatas e políticos rivais. Segundo uma reportagem da Reuters, o país teria trabalhado em parceria com ex-funcionários do serviço de inteligência dos Estados Unidos para aplicar para vigiar estas pessoas. O grupo teria utilizado uma ferramenta chamada Karma para conseguir espionar o aparelho.

De acordo com a agência de notícias, esta ferramenta permitiu que o país conseguisse monitorar centenas de pessoas desde 2016, incluindo líderes rivais da região em países vizinhos. Na lista estão o Emir do Catar além de um oficial turco que já recebeu o nobel da paz por atividades no Iêmen. A Reuters diz ter retirado estas informações de fontes fora dos Emirados Árabes.

O Karma foi criado em conjunto entre oficiais árabes e ex-agentes norte americanos contratados pelo governo do país. A ferramenta nasceu de um projeto de hacking chamado pelo codinome de Raven.

Algumas pessoas que trabalharam neste programa informaram à Reuters que o Karma é capaz de garantir acesso a iPhones e fazer upload de números de telefones e contas de e-mail de forma automatizada. Apesar disso, eles garantem que a ferramenta tem limites, sobretudo de não funcionar em aparelhos Android.

Com isso, o governo dos Emirados Árabes Unidos conseguiu acesso a fotos, e-mails, mensagens de texto e informações dos aparelhos, o que pode também ter dado acesso a senhas dos devices.

Apesar de os entrevistados dizerem que tal ferramenta foi utilizada entre os anos de 2016 e 2017, ele não souberam precisar se a ferramenta continua em uso. Contudo, parte dos entrevistados acreditam que este foi apenas um episódio de uma corrida de cibersegurança que acontece na região.

Por exemplo, o ex-chefe de segurança cibernética da Casa Branca, Michel Daniel, que trabalhou na gestão Barack Obama, disse que cerca de 10 países como Rússia, China e Estados Unidos têm hoje capacidade de fazer ferramentas como o Karma.

Falha

O Karma foi criado e vendido ao governo do país árabe por uma empresa chamada DarkMatter, para a qual trabalharam os ex-oficiais dos Estados Unidos. O sistema era tão protegido que nem mesmo as pessoas que o manejavam sabiam exatamente como ele funcionava.

Segundo os entrevistados que participaram do projeto, o Karma foi possível por conta de uma falha no app do iMessage. Por ele, era possível implantar um malware, mesmo que o iPhone não tivesse com o sistema de mensagens ativado. Para isso, bastava mandar uma mensagem qualquer para o aparelho da vítima. Com este programa malicioso, os hackers garantiam acesso ao device.

Segundo a Reuters, tanto a Apple quanto as autoridades dos Emirados Árabes Unidos declinaram o pedido de entrevista.

Emirados Árabes podem ter espionado centenas de rivais usando falha no iPhone Emirados Árabes podem ter espionado centenas de rivais usando falha no iPhone Reviewed by Rosiel Victor on janeiro 30, 2019 Rating: 5

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