Para articulista do New York Magazine, internet já é mais fake que real

“Se está na internet, é verdade”. Essa frase irônica pode representar exatamente o oposto do que a internet é hoje. Pelo menos é o que mostra o articulista da New York Magazine, Max Read. Ele publicou um levantamento que mostra que a internet pode ter mais conteúdo falso do que você imagina.
Read levanta alguns casos que mostram os mecanismos utilizados para fazer a internet um lugar mais confiável, embora isso seja mentira. Segundo pesquisas levantadas por Read, 60% do tráfego de toda a internet é feito de forma humana. Contudo, isso não é uma constante, sendo que daqui a alguns anos pessoas reais representarão menos que isso.
Segundo um levantamento do Times, em 2013, mais da metade do YouTube eram bots se passando por pessoas. A matéria levanta que, neste ano, havia tanto bot que os funcionários temiam um ponto de inflexão que o algoritmo passasse a identificar pessoas reais como nocivas para a plataforma. Segundo rumores, eles teriam até um nome para isso: “A Inversão”.
Contudo, para o articulista do New York Magazine, 2018 foi o ano em que “a Inversão” aconteceu na internet como um todo. “Tudo que uma hora pareceu definitivamente e inquestionavelmente real, agora parece ao menos um pouco mentiroso; tudo que antes parecia levemente mentiroso, agora tem o poder e a presença do real”, pontua em seu texto.
Read divide em cinco grandes temas o que ele acredita que sejam as maiores mentiras da internet.
Ele começa falando das métricas. Contra isso, ele lembra de um caso deste ano em que um grupo de publicitários processou o Facebook sob a acusação de que a rede social infla os números apresentados a eles.
Neste processo, foi anexado um conjunto de 80 mil documentos internos de revisões de páginas do Facebook que mostram que a empresa não tinha certeza sobre os números que oferecia a seus clientes.
Tal problema, segundo o processo, vem de 2016, quando o Facebook avisou a alguns de seus principais clientes que estaria superestimando o tempo médio de visualização dos vídeos em algo por volta de 60% a 80%. Contudo, o processo acusa a empresa de modificar os números para algo ainda mais fora da curva, entre 150% a 900%.
Outro dado mascarado pela rede social foi o de que o Facebook teria mostrado que 75 milhões de pessoas viram ao menos um minuto do Facebook Watch neste ano, muito embora a soma destes 60 segundos não precisem ser necessariamente consecutivos. Ou seja, se alguém assistiu a 5 segundos de 12 vídeos diferentes, já somou os um minutos indicados para a estatística da rede social.
O segundo ponto levantado por ele é de que as pessoas na rede também são falsas. Neste ponto, como eles mesmo já mostrou no começo do texto, é possível ver que o YouTube ainda sofre com isso.
O New York Times também mostrou que existem verdadeiras fazendas de tráfego na China, com centenas de celulares conectados para dar likes em uma mesma pagina, assistir a um mesmo vídeo ou baixar um determinado app repetidas vezes, enganando algoritmos de uma plataforma.
I never tire of looking at videos of Chinese click farms. It's just so surreal to see hundreds of phones playing the same video for the purposes of fake engagment. pic.twitter.com/bHAGLqRqVb
— Matthew Brennan (@mbrennanchina) 10 de dezembro de 2018
Um terceiro ponto levantado por Read é de que os negócios também são fakes por aqui. Ele relembra um caso de uma artista que descobriu um esquema em que pessoas compravam produtos em lojas da Amazon e revendiam por preços mais altos. Ela descobriu que havia todo um grupo de lojas que combinavam entre si para puxar os preços de produtos específicos para cima na plataforma.
O quarto ponto de Read é que o conteúdo também é mentiroso. Aqui ele fala de tecnologias como a que trocava o rosto de qualquer celebridade pelo do Nicolas Cage, mesmo em vídeos. Um sistema que ficou cunhado neste ano como “deepfake”.
Junto disso, ele lembra outro problema de conteúdo do YouTube que busca regular os vídeos e limitar o que crianças podem ver na plataforma. A rede social sofre até hoje com programas licenciados, como episódios de desenhos e jogos de futebol replicados na íntegra.
Por fim, ele também entra no campo da política, talvez o cenário mais claro sobre como a internet pode ser mentirosa. Contudo, ele vai além, citando plataformas e canais do YouTube em que pessoas prometem que vão “abrir os olhos da população”. Neste caso, não é preciso ir para além do Brasil, já que existe uma série de exemplos de produtores de conteúdos em língua portuguesa que versam sobre “falar a verdade” à respeito de vacinação, terra plana e outros temas do gênero.
O artigo de Read foi publicado no site do New York Magazine.

Post a Comment