Homo Driver, app de transporte exclusivo para população LGBTQIA, é lançado em MG

Para a população LGBTQIA+, nem sempre é seguro contratar uma viagem por aplicativos como Uber, 99, Cabify e afins. Alvo de preconceito e violências, as pessoas que não se enquadram no padrão cis-heteronormativo (ou seja, que não se contemplam com o gênero atribuído ao nascimento e/ou não são heterossexuais) dividiram histórias de exclusão e agressões nos serviços de transporte sob demanda, como foi o caso da cantora Linn da Quebrada, que se identifica como travesti e usou seu perfil no Twitter para cobrar da Uber providências sobre os motoristas da empresa que se recusavam a transportá-la, devido à transfobia.
O caso aconteceu em agosto e o tweet de Linn pode ser visto na reprodução abaixo:
acabei de passar uma puta situação de constrangimento com a @Uber_Brasil e não é a primeira vez, lógico. Onde o motorista chega no local de embarque e se recusa a me deixar entrar no carro porque eu sou travesti. E aee @Uber_Brasil, já recalquei d problemas assim, de assédio..
— Linn da Quebrada (@linndaquebrada) 20 de agosto de 2018
É pensando em casos enfrentados por pessoas como a Linn da Quebrada que foi criado, em janeiro, o Homo Driver, um aplicativo de transporte urbano exclusivo para o público LGBTQIA+, inclusive no que diz respeito aos motoristas que prestam o serviço. Os sócios tiveram a ideia após um MBA em Gestão de Negócios com ênfase em Marketing e Mídias Sociais, onde tiveram conhecimento da demanda da população LGBTQIA+. "O curso despertou em nós uma reflexão social e iniciamos a busca de melhorias na prestação dos serviços voltados a comunidade LGBT", conta Thiago Guirado Vilas Boas, sócio-fundador da Homo Driver.
A iniciativa divide opiniões. Enquanto alguns acreditam que a startup é benéfica por trazer segurança aos passageiros e oportunidades de gerar renda à população LGBTQIA+, outros a criticam por fomentar a segregação do público. O Brasil é o país mais violento contra a população LGBTQIA+, estando à frente de locais como México e até mesmo países do Oriente Médio nesse sentido. Aqui, pessoas transexuais, não-binárias e travestis têm expectativa de vida média de 32 anos, segundo dados colhidos em 2015 por ONGs de Direitos Humanos.
Até o momento, o Homo Driver conta com mais de 800 downloads de passageiros e 90 motoristas cadastrados para dirigir na cidade de Belo Horizonte e pode ser baixado na Google Play gratuitamente. Os planos são expandir os serviços para outros estados brasileiros com a popularização dos serviços. No site do serviço, vemos que um app para iOS deve estar para chegar em breve.

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