Apple bloqueia uso de ferramenta policial que invadia iPhones

A mais recente atualização do iOS finalmente foi capaz de impedir o uso do GrayKey, uma ferramenta que era usada por forças policiais e de inteligência de todo o mundo para acessar iPhones bloqueados. De acordo com fontes ligadas às autoridades, o aparato agora se tornou praticamente inútil, sendo capaz de extrair apenas metadados e informações criptografadas que não servem para fins de investigação.
O funcionamento do GrayKey é um segredo guardado a sete chaves por sua fabricante, a GrayShift, que cobra US$ 15 mil pela venda dos dispositivos e ganhou notoriedade entre as autoridades por permitir o desbloqueio dos celulares e o acesso aos dados em sua memória. Teoricamente, o aparelho usaria um método de força bruta que seria capaz de circundar as limitações e os bloqueios impostos pelo iOS a tentativas simultâneas de inserção de senha, mas como exatamente isso é feito, porém, só os responsáveis sabem.
O iOS 12, entretanto, teria acabado com essa vulnerabilidade, impedindo o desbloqueio de aparelhos de suspeitos. O que exatamente mudou, também, não é conhecido, mas a principal aposta é em um novo mecanismo de segurança que “desliga” o acesso aos dados em um celular ou tablet que esteja bloqueado há mais de uma hora. Assim, apenas o recarregamento da bateria é permitido, enquanto o restante das interações com o sistema é desativada até que uma nova biometria ou inserção de senha seja realizada.
Também não se sabe se outras soluções semelhantes, como uma fornecida pela Cellebrite, que também promete o desbloqueio e extração de informações do iOS, foram atingidas pela atualização. A ideia geral, entretanto, é de que a mudança vale para todas, uma vez que a conexão USB é essencial para o funcionamento de qualquer dispositivo dessa categoria.
Um representante da polícia da cidade de Rochester, no estado americano do Minnesota, confirmou à Forbes que o GrayKey se tornou inutilizável. A fabricante responsável pelo dispositivo não se pronunciou sobre o assunto, mas é de se imaginar que ela esteja trabalhando em uma atualização própria para circundar as novas proteções e devolver a funcionalidade de seu produto aos clientes.
Um pronunciamento da fabricante, inclusive, nem mesmo é esperado, principalmente quando se leva em conta sua abordagem bastante restritiva. Nem mesmo o site oficial da GrayShift pode ser acessado por qualquer um e a companhia já disse, no passado, não constituir um perigo à segurança dos usuários do iOS por fornecer seus serviços apenas a autoridades e instituições de segurança reconhecidas, de forma que sua tecnologia não caia em mãos erradas.
Ainda assim, se o bloqueio gerado pela atualização do iOS realmente procede, a notícia é boa para os partidários da privacidade e, também, para a própria Apple, que via o uso do GrayKey como uma pedra no sapato já há algum tempo. A Maçã, porém, não falou sobre o assunto.
De Jogador 013
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